Hoje acordei cedo, a vontade de trabalhar lá fora era imensa. Se bem sabem, os artigos no respiranatureza.com tem vindo a decrescer de 2021 para cá, isto não porque o meu gosto pela natureza tenha diminuído, mas sim porque a vida vai ditando o nosso caminho e eu sigo… “caminhando à vista” e ao mesmo tempo tentando ficar um pouco “fora da caixa” para não cair na armadilha dos dias monótonos que, por vezes, nos “oprimem”.
Estes últimos dois anos têm sido dedicados às artes, à ilustração, ao atelier de pintura de Mogadouro e também a um projeto agrícola, não esquecendo, sempre à família. Mas, a vida é caprichosa e por vezes faz-nos regressar às origens/natureza.


Desta vez foi o desafio da Presidente da Junta de Freguesia de Castro Vicente, Porrais e Vilar Seco, Carla Lousão, que me instigou este despertar por uma das minhas maiores paixões. No âmbito da VII FEIRA DO PORCO BÍZARO fui convidado a interpretar uma caminhada “À descoberta das Terras de Castro Vicente”, que se desenvolveu nas imediações da aldeia de Porrais.
Ao sair de casa bem cedo observei logo cinco ou seis tentilhões a atravessarem-se no meu caminho, parei para beber um café em Mogadouro e pensei, tenho de apurar os sentidos. Lá fora já se faziam ouvir as milheirinhas e verdilhões, segui em direção ao Rio Sabor, pois Castro Vicente fica na outra margem, fiz algumas paragens antes de chegar ao destino, foram várias as aves que fui detetando, pardais, chapim azul, trigueirão, estorninho-preto, melro, entre muitas outras. Consegui observar uma garça-vermelha (Ardea purpurea), para ser sincero, é a primeira vez que vejo esta espécie neste concelho. Após a construção das barragens no rio Sabor as transformações vão, inevitavelmente, acontecendo.






Ao descer em direção ao rio a neblina ia tentando tapar os raios de sol matinais. Por entre o arvoredo já se notavam algumas amendoeiras em flor, não esqueçam a Feira da Amendoeira em Flor está perto é já no próximo fim de semana na Vila de Mogadouro (1/2/3 de março).





Chegado a Castro Vicente já a antiga vila fervilhava de animação, com gaiteiros e bombos a meter o compasso naqueles que se preparavam para a jornada, um pequeno almoço servido junto à fogueira, café no pote e torradas regadas com azeite, uma peça de fruta para quem quisesse entre outras opções que não provei, naquela manhã iria haver BTT e uma caminhada rumo ao rio Azibo interpretada por mim.


Logo ali, em conversa com o amigo Miguel falámos sobre algumas espécies, como o melro-azul desenvolvendo-se até aos pombos, e passado alguns minutos observámos um pombo doméstico descendente dos pombos das rochas selvagens (Columba livia). Este pombo tem praticamente as características do pombo das rochas, nomeadamente o uropígio branco, a contra-asa branca e duas riscas pretas bem visíveis na asa.



O caminho está prestes a começar, no entanto esperem pelo próximo artigo para poderem saber o que vimos, o que falámos e todas as paisagens magníficas que percorremos.
Grande abraço!

Gady (Rui Santos)