Amigos finalmente hoje consegui um tempo para me sentar um pouco e voltar a escrever no blog.
Continuando o último artigo, estávamos prestes a chegar à ribeira do Azibo, onde de certeza iriamos encontrar bons motivos que justificariam a passagem no local.
Desde logo começamos por observar plantas singulares, como por exemplo a gilbardeira (Ruscus aculeatus) cujo as flores aparecem numa parte da planta que se assemelha a uma folha, mesmo no centro da dita “folha”, mas que na realidade não o são. São sim caules modificados, uma planta sobre a qual irei escrever num dos próximos artigos.


Outra planta de grande interesse ecológico é o buxo (Buxus sempervirens), embora tenha uma ampla distribuição pela europa, e seja muito usada para ornamentar jardins, principalmente fazendo bonitas sebes ou em topiária, inclusive no nosso país. No entanto, em Portugal apenas aparece em estado selvagem em Trás-os-Montes, principalmente nos afluentes de grandes rios como o rio Douro e também do rio Sabor, como será este o caso.

Junto à ribeira observamos a força da água, reparem como se movimenta. Aqui faz-se jus ao ditado: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Este recanto é sem dúvida fantástico, aqui a água vai moldando a rocha a seu belo prazer…
Abrigados nas reentrâncias dos rochedos, encontramos ninhos de andorinha-das-rochas, que agora conseguimos observar a voar tanto abaixo de nós como acima. Foi bom termos falado sobre esta espécie quando saímos da aldeia de Porrais, reparo que agora toda a gente observa com mais atenção “as andorinhas”.
Este é o habitat ideal para o melro de água, um passeriforme de forma rechonchuda de cor castanha e com o peito branco, não o consegui ver no local. Um amigo ensinou-me o sítio onde possivelmente nidificará, quem sabe um dia me dedicarei a tentar fotografa-lo.





Mais acima observamos como o homem já fez uso da força da água a seu proveito, testemunho disso é um velho moinho cujo as suas paredes ainda resistem ao passar do tempo e dos anos.




Por outro lado, a presença do homem afirma-se de outros modos. Como por exemplo esta espécie de cacto que à primeira vista poderia ser algo endémico, mas que não o é. Pertence ao género (Opuntia) daí as semelhanças com a figueira da índia (Opuntia ficus-indica) da qual tive a oportunidade de trocar algumas ideias com a botânica Marisa Castro Cerceda.

Provavelmente um pedaço de cacto foi largada de um carro e aos pouco foi se alastrando pelo território em sentido descendente, pois aqui aparece apenas entre a estrada lá no alto e a ribeira. Entre muitas outras formas, é assim que se disseminam espécie exóticas no meio natural. Por vezes acontecem casos preocupantes como será a acácia ou a (Hakea sericea) no concelho de Mação.
Ora desafio-vos a ler este artigo que reflete muito bem o perigo das plantas invasoras em Portugal: https://respiranatureza13.wordpress.com/2019/02/11/hakea-sericea-schrader-controlo-de-plantas-invasoras-em-macao/

Pelo caminho paramos em alguns locais para falarmos sobre algumas curiosidades, por exemplo, que espécies de aves podemos encontrar em locais como este, seja o guarda-rios, a alvéola-cinzenta, o mergulhão pequeno ou a galinha de água entre muitas outras…
Aproveitei o facto de observar um amieiro todo esburacado para falar sobre os pica-paus: o peto-verde, o pica-pau-malhado-grande e o pica-pau-malhado-pequeno.
(artigos sobre pica-paus: https://respiranatureza13.wordpress.com/2021/08/31/o-pica-pau-malhado-pequeno/





E como caminhamos para a primavera também falámos sobre aves noturnas, mochos, corujas e bufos, e a possibilidade de encontrarem juvenis destas aves no solo e o modo como devem agir num caso destes. Para os mais curiosos poderão ler estes dois artigos, muito elucidativos destes encontros improváveis:
https://respiranatureza13.wordpress.com/2017/06/26/uma-bela-surpresa/
https://respiranatureza13.wordpress.com/2016/12/04/duas-crias-de-coruja-do-mato-no-chao-como-agir/








O resto do passeio decorreu de forma tranquila, para finalizar o artigo deixo aqui um pequeno vídeo, cortesia do amigo Jacinto Lousão, o qual agradeço.
Um grande abraço a todos os participantes, organização e leitores do blog.
Grande abraço!
Gady